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Laís Corrêa de Araújo é a homenageada do FLI-BH

Laís-Corrêa-de-Araújo

A segunda edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte – FLI-BH – homenageia a poeta Laís Corrêa de Araújo. Personalidade influente no meio literário. Laís foi uma grande intelectual brasileira, pesquisadora, ficcionista, tradutora e ensaísta.

Nascida em 1927, na cidade de Campo Belo (MG), passou a maior parte de sua vida em Belo Horizonte. Aos quinze anos de idade, ingressou no curso de Línguas Neolatinas na UFMG. Em 1951 teve seu primeiro livro publicado, um presente de seu futuro marido, Affonso Ávila, que reconheceu a poesia diferenciada e rigorosa de Laís. Talento e trabalho que mais tarde, em 1965, num outro livro, Cantochão, receberiam o Prêmio Cidade de Belo Horizonte.  Mãe de cinco filhos, mulher extraordinária por romper com o que se esperava de uma mulher de sua época, Laís dedicou-se intensamente ao estudo e à literatura, sendo um dos grandes nomes da vanguarda poética brasileira a partir da década de 50, participante de eventos onde, inúmeras vezes, era a única mulher.

Laís Corrêa de Araújo soube transitar num meio majoritariamente masculino, foi a única mulher fundadora do Suplemento Literário de Minas Gerais, escreveu para órgãos de imprensa do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, manteve por décadas a coluna Roda Gigante no jornal “Estado de Minas”, onde exercia a crítica literária e divulgava velhos e novos autores. Respeitada, tida como “severa”, prefaciou vários livros de seus colegas de ofício, entre eles, Luiz Vilela, na primeira edição de “Tremor de terra”. Traduziu para o português trabalhos de autores como André Breton, Roland Barthes, Federico Garcia Lorca, Jean Cocteau, Albert Camus, Ezra Pound, Julio Cortázar e Fernando Arrabal, sendo de alguns destes a primeira tradutora no Brasil. Laís manteve vasta correspondência com escritores, críticos e intelectuais, entre eles, Murilo Mendes.

Para os curadores deste festival, a escolha de Laís Corrêa de Araújo para homenageada é uma escolha ética, que procura fazer justiça, dando visibilidade à sua grande obra e trabalho; uma escolha estética, pois os poemas de Laís Corrêa de Araújo sobrevivem ao tempo, contemporâneos na linguagem e absolutamente tocados pelo rigor e pela exatidão do uso das palavras; e é uma escolha política porque vem, por meio da poesia de Laís, dar ênfase à necessidade de se mostrar, com oportunidades equânimes, a literatura escrita por mulheres em nosso país.

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Obras de Laís Corrêa de Araújo

Caderno de poesia (Coleção Santelmo, 1951)

O signo e outros poemas (Editora José Olympio, 1955)

Cantochão (Imprensa Belo Horizonte, 1967)

Murilo Mendes (Ensaio, Coleção Poetas Modernos do Brasil, Ed. Vozes, 1972)

O grande blá-blá-blá (Editora Abril, 1974)

Maria e companhia (Editora Brasil-América, 1983)

Que quintal! (Editora RHJ, 1987)

O relógio mandão (Editora RHJ, 1987)

Decurso de prazo (Gráfica de Ouro Preto, 1988)

Caderno de traduções de Laís (Gráfica de Ouro Preto, 1991)

Pé de página (Edições Nonada, 1995)

Clips (Em parceria com a artista plástica Niura M. Bellavinha, 2000)

A loja do Zéconzé (Editora Dubolsinho, 2000)

Inventário (Coletânea de poemas, incluso o livro inédito Geriátrico, Ed. UFMG, 2004).

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Estudo apurado da vida e obra de Laís Corrêa de Araújo pode ser encontrado no livro Laís Corrêa de Araújo, organizado pela escritora e pesquisadora Maria Esther Maciel, na coleção Encontro com Escritores Mineiros, UFMG, 2002).