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Fundação Municipal de Cultura lança nesta quarta destaques da programação do FLI-BH

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Foto: Ricardo Laf

Os organizadores do 2º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte –  FLI-BH – que terá o tema Vozes de todos os cantos, anunciaram, no dia 9 de agosto, alguns dos nomes da literatura nacional e internacional que já confirmaram presença na capital mineira. Entre eles estão o congolês Felix Kaputu, a portuguesa Teolinda Gersão, o argentino (radicado em Portugal) Rodrigo Castro e a norte-americana Porsha Olayiwola. Entre os autores brasileiros estão Luiz Vilela, Maria Valéria Rezende, Conceição Evaristo e Eliane Potiguara. A homenageada desta edição será a poeta Laís Corrêa de Araújo.

O festival será realizado em parceria com a Primavera Literária, da Liga Brasileira de Editoras (LIBRE), de 14 a 17 de setembro, no Centro de Referência da Juventude, na Praça da Estação. A curadoria é dos escritores Adriane Garcia e Francisco de Morais Mendes.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Juca Ferreira, o festival já foi incorporado ao calendário da cidade. “O FLIBH levanta a questão da valorização da literatura e da leitura literária, que são aspectos importantes para o desenvolvimento da literatura em Minas, e que, em especial na cidade de Belo Horizonte, sempre brilhou. Esse ano, a curadoria apontou a necessidade de valorizar vozes, recuperar esta multiplicidade de produções literárias, para que dialoguem e circulem num mesmo espaço” apontou Juca.

A proposta é mostrar a diversidade que a literatura expressa, reunindo aqueles que movimentam a cena literária na cidade e em diferentes partes do mundo. “Às vozes do texto literário somam-se as vozes das ruas, dos saraus, da academia e a voz do público leitor. A ideia é romper com as divisões entre centro e periferia, entre guetos, grupos e classes sociais, entre o tradicional e o novo, e nos apossarmos da força que vem de diferentes territórios, com a variedade de culturas, de gêneros, de opções de expressão”, destacou o curador Francisco de Morais Mendes. Para a diretora regional da Liga Brasileira de Editoras, que promove a Primavera Literária, Juliana Flores, a realização da terceira edição do evento junto ao FLI-BH consolida uma parceria que deu certo. “A nossa ideia é que a gente consiga representar a bibliodiversidade brasileira, e o tema deste ano faz um diálogo com a luta da LIBRE, que é mostrar a voz de todos os cantos da literatura para os leitores, fortalecendo as editoras independentes” afirmou Flores.

A homenageada deste ano, a poeta Laís Corrêa de Araújo, foi personalidade influente no meio literário mineiro, como jornalista, ensaísta, tradutora. Participou da fundação do Suplemento Literário de Minas Gerais, onde teve intensa atuação, e foi titular da coluna Roda Gigante, publicada regularmente durante muitos anos no jornal Estado de Minas. A curadora Adriane Garcia afirmou que espera que a homenagem dê mais visibilidade a obra e vida da autora mineira. “A escolha é ética, estética e política. Ética, porque queremos fazer justiça com esse nome que muitas vezes as pessoas não conhecem. Estética, porque a obra de Laís é uma poesia que fala de tudo, ela é atravessada pela sua experiência, mas tradada ao mesmo tempo com exatidão. Nos poemas de Laís não existem palavras que não deveriam estar ali. E política, porque queremos homenagear uma mulher, tendo em vista que a edição anterior homenageou um homem. Hoje nós reivindicamos este lugar da mulher que também é o da escrita e o da leitura”, disse Adriane Garcia.

Entre os convidados estrangeiros, estão a Campeã do Mundial de Slam, a poeta norte-americana Porsha Olayiwola, e a escritora e professora da Universidade de Coimbra Teolinda Gersão, autora de mais de quinze livros e vencedora, por duas vezes do prêmio PEN Clube Portugal. Seu livro mais recente é “Prantos, Amores e Outros Desvarios” (2016). Outros convidados são Rodolfo Castro, escritor, contador de histórias e pesquisador e o congolês Felix Kaputu, que vive há dez anos no exílio, é refugiado no Brasil por meio do programa oferecido pelo International Cities of Refuge Network (Icorn). Está vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É professor universitário, pesquisador e romancista.

O evento de abertura do Festival terá a participação do escritor Luiz Vilela, autor do livro de contos Tremor de terra, que completa este ano 50 anos de publicação e foi vencedor do Prêmio Nacional de Ficção, de 1967. Já confirmaram presença a professora da Universidade de Brasília (UnB) Regina Dalcastagnè, a escritora e ilustradora pernambucana Rosinha, a autora também premiada Maria Valéria Rezende e a professora, escritora e ativista indígena Eliane Potiguara, fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas, e escritora Conceição Evaristo, que atua nas áreas de literatura e educação, com ênfase em temas de gênero e etnia.

Para a coordenadora geral do FLI-BH, Fabíola Farias, o evento é uma conquista para a cidade, uma vez que contempla distintos aspectos demandados pelo setor, como a valorização da escrita literária como produção artística e cultural, a promoção dos escritores da cidade, o fortalecimento da economia do livro e, principalmente, a oferta de atividades que contribuem para a formação de leitores. Neste sentido ela ressaltou que “o FLI-BH materializa boa parte das diretrizes do Plano Municipal de Leitura, Literatura, Livro e Bibliotecas, construído coletivamente por representantes da sociedade civil e do poder público durante quase três anos de trabalho”.